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Dados do 3º Trimestre de 2012 confirmam a tendência de declínio e da capacidade de atracção de fluxos

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A observação dos dados do 3º Trimestre de 2012, no âmbito da monitorização das Dinâmicas Regionais desenvolvida pelo Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve, revela que mesmo no trimestre de maior afirmação da dinâmica regional, a tendência de abrandamento dos tráfegos e dos fluxos de passageiros não se inverte.

Este declínio, sentido em todos os modos de transporte e na quase totalidade dos fluxos monitorizados (com natural excepção para a N 125), vem confirmar que os sinais de abrandamento (pelo comportamento continuado no tempo), podem entender-se já de uma tendência de ajustamento estrutural. Neste contexto é de realçar que a monitorização de troços alternativos à A22 vem indiciar que o declínio da circulação não se fez por transferência de percursos, mas por redução da procura.

Para uma análise mais detalhada, destaca-se: 

1 - Transporte Aéreo:

No 3º trimestre de 2012, o Aeroporto Internacional de Faro registou um movimento de 14.984 voos e de 2.355.570 passageiros (ambos os valores reportam-se somente aos voos e passageiros comerciais). Enquanto o número de voos apresenta um decréscimo relativamente ao trimestre homólogo (2011) de 3,2%, o movimento de passageiros registou um acréscimo de 1,5%.

Relativamente ao número de voos, este é o quarto trimestre consecutivo em que se registam decréscimos relativamente ao trimestre homólogo; enquanto que no movimento de passageiros, o 3º trimestre de 2012 vem interromper uma sequência de três trimestres consecutivos de decréscimos.

No trimestre, foram movimentados 113.844 passageiros com os restantes aeroportos do espaço nacional, valor que corresponde a 4,8 % do total do movimento no trimestre. Comparativamente com o trimestre homólogo do ano anterior (2011), verificou-se um acréscimo de 7,6% no movimento com os aeroportos nacionais, retomando-se assim uma série de 12 trimestres consecutivos de variação trimestral homóloga positiva, apenas interrompida no 2º trimestre de 2012.

2 - Transporte Marítimo/fluvial:

No 3º trimestre de 2012, as carreiras que operam na Ria Formosa transportaram um total de 1.475.671 passageiros, o que corresponde a uma diminuição de 0,7% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011). A carreira que assegura a travessia do Guadiana (Vila Real de Santo António - Ayamonte) transportou um total de 56.658 passageiros, o que corresponde a um decréscimo de 1,8% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011).

Em ambos os sistemas foram registados decréscimos no movimento de passageiros. No caso do sistema da Ria Formosa, o decréscimo não foi particularmente significativo (somente 0,7%), inserindo-se assim no padrão normal de variação inter-anual, que não apresentou neste trimestre quebras eventualmente esperadas num contexto de recessão. No caso do sistema do Guadiana, o decréscimo do movimento de passageiros, também ligeiro, insere-se numa tendência já longo de consecutivos decréscimos (apenas interrompida no 1º trimestre de 2012).

3 - Transporte ferroviário:

No 3º trimestre de 2012, o sistema ferroviário regional (Lagos - Vila Real de Santo António) transportou um total de 415.030 passageiros, o que corresponde a um decréscimo de 14,2% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011).

O Longo Curso (ligações dos serviços Alfa e Intercidades) movimentou um total de 209.200 passageiros, o que corresponde a um decréscimo de 7,6% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011).

No caso do sistema regional, esta é já a oitava variação trimestral homóloga negativa consecutiva (desde o 4º trimestre de 2010). Quanto às ligações do Longo Curso, o significativo decréscimo (7,6%) vem interromper uma retoma (embora ligeira) verificada nos dois anteriores trimestres de 2012.

4 - Tráfego nos principais eixos rodoviários:

No 3º trimestre de 2012, o Tráfego Médio Diário (TMD) no troço terminal da A2 na Região (S. B. Messines - Paderne) situou-se nos 13.447 veículos, o que corresponde a uma diminuição de 20,8% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011).

Na A22, o TMD situou-se nos 13.712 veículos, o que corresponde a uma diminuição de 42,2% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

Na Ponte Internacional do Guadiana, o TMD situou-se nos 14.703 veículos, o que corresponde a uma diminuição de 3,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

Tanto no troço terminal da A2 como na A22, estas são as oitavas variações trimestrais homólogas negativas consecutivas (desde o 4º trimestre de 2010). Regista-se, como se havia já registado no trimestre anterior, que os decréscimos em 2012 são particularmente mais elevados do que em 2011. Enquanto na A22 os decréscimos são explicados sobretudo pela introdução de portagens (em Dezembro de 2011), no troço terminal da A2, portajado desde a sua entrada em funcionamento, a explicação para os acentuados decréscimos de tráfego passa sobretudo pela situação económica vivida no País.

À semelhança do que se observou em trimestres anteriores, verificou-se que a diminuição do tráfego no troço terminal da A2 (20,8%) não teve como contrapartida um acréscimo do tráfego no troço do IC 1 compreendido entre S. B. Messines e Tunes – a via alternativa, sem custos de portagem. Também neste troço do IC 1, com um TMD de 9.340 veículos, se registou um decréscimo de 9,6% relativamente ao trimestre homólogo (de 2011). Ou seja, tanto pela via portajada como pela via alternativa (não portajada) registaram-se acentuados decréscimos dos TMD, o que indicia um menor afluxo de pessoas (sobretudo veraneantes) à Região durante o 3º trimestre de 2012.

A quebra acentuada do tráfego na A22 (42,2%) teve como consequência o aumento do tráfego em dois troços da EN125, o eixo regional longitudinal alternativo. O troço da EN 125 Odiáxere – Estombar registou um TMD de 25.814 veículos, o que corresponde a um aumento de 22,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011); enquanto o troço da EN 125 Tavira – Monte Lagoa registou um TMD de 20.949 veículos, o que corresponde a um aumento de 10,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011). O único troço (monitorizado) da EN 125 quer não apresenta crescimento de tráfego é o troço da EN 125 S. João da Venda – Faro Norte: o TMD de 47.800 veículos corresponde a um decréscimo de 1,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011), que se constitui como a sétima quebra trimestral consecutiva neste troço de acesso à cidade de Faro.

5 - Transporte colectivo rodoviário:

No 3º trimestre de 2012, foram transportados 241.120 passageiros nas ligações urbanas regionais, o que corresponde a um decréscimo de 5,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

As ligações inter-urbanas (regionais) transportaram um total de 1.200.374 passageiros, o que corresponde a um decréscimo de 11,1% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

As ligações inter-regionais asseguraram o transporte de 315.004 passageiros, correspondendo a um decréscimo de 0,3% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

As ligações internacionais (carreira Lagos – Sevilha) transportaram um total de 12.728 passageiros, o que se traduz num decréscimo de 5,3% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

Como principal destaque, como já sucedera no trimestre anterior, é a notória ocorrência de decréscimos no movimento de passageiros em todos os quatro segmentos do transporte colectivo rodoviário, o que ocorre pela segunda vez desde o início da recolha e tratamento desta informação (ano de 2007). Estes decréscimos apresentam maior relevância no caso das ligações inter-urbanas – um segmento que apresenta já uma série de 19 trimestres consecutivos em queda –, e no caso das ligações urbanas que, tendo apresentado crescimentos consolidados nos anos de 2008 a 2010, registaram decréscimos em 2 trimestres de 2011 e apresentam decréscimos em todos os trimestres de 2012.

As ligações inter-regionais, embora apresentem um decréscimo pouco significativo (somente 0,3%), se analisadas em conjunto com o decréscimo de passageiros no Longo Curso ferroviário e com as descidas dos TMD na A2 e no IC1, contribuem para o indício de que a afluência de pessoas (sobretudos veraneantes) à Região no Verão de 2012 terá sido inferior à dos anos anteriores.